“ANTES DE ENSINAR JOGADAS, ENSINAR A ESSÊNCIA DO JOGO”

Em primeiro lugar, importa salientar o que para nós significa o termo “jogadas”. Em nosso entender, não são mais do que circulações estereotipadas, repetidas vezes sem conta, em contexto de treino, com o objetivo de vê-las reproduzidas na competição. Normalmente, estas jogadas são fruto de uma arquitetura mental do treinador que procura tornar os seus atletas verdadeiros robots programados.

Quando ensinamos jogadas, aniquilamos o potencial decisional das crianças, na medida em que criamos cenários que queremos ver reproduzidos, esquecendo-nos que a competição está sujeita à imprevisibilidade, ao casuístico. Assim, não poderão os treinadores procurar “robotizar” os seus atletas, mas antes muni-los de ferramentas que lhes permitam em cada situação do jogo, decidir da melhor forma. No entanto, um olhar mais atento sobre os escalões de formação de futebol, revela que para muitos treinadores, o futebol se assume como um verdadeiro jogo de computador, onde a missão do treinador é teleguiar os seus atletas. Muitos treinadores ocupam todo o tempo de jogo a dar indicações claras e precisas a cada atleta do que deve fazer, como fazer e onde fazer. Claro está, que não defendemos que o ensino do futebol seja anarquizado e o papel do treinador é de suma importância na correção. Contudo, ensinar futebol, implica apontar caminhos, oferecer diferentes soluções e depois, permitir que em contexto competitivo seja o atleta a escolher, em cada momento, qual o melhor desfecho para os problemas que lhe surjam.

Concluindo, cabe ao treinador a árdua tarefa de promover nos seus atletas a tomada de decisão, de modo autónomo, singular, procurando dar sempre a melhor resposta às contingências do contexto.

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